quinta-feira, março 28

Feitiços de açúcar

Feito todo de amor e carinho, muita farinha, açúcar e ovos, ele tomou corpo sob minhas mãos. Dançou ao ritmo da batedeira e cantou ao toque suave e macio do meu garfo. Gritou e soltou bolhas de alegria, mexeu doce e fofo, espumante e fermentado. Soltou faíscas ao primeiro contato com o fogo, fingiu indignação se recusando a crescer, mas sim que cresceu, formoso, bonito e tostadinho, um cheiro maravilhoso desse bolo. Mas um bolo nunca é igual ao outro, desenvolvem suas personalidades ao serem criados, uns são rebeldes, outros mais ainda, e esse, querido, modelado pelas minhas carinhosas mãos foi o Hitler dos bolos, queimou os judeus da borda e depois de crescer, perdeu a guerra, muxando igual flor sem água.

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