sábado, março 16

Depois do fim

Dia desses andava eu a cavalgar na minha pretensa e fantasiosa mente. Sim, uma cavalgada com direito a um garanhão sadio e trêmulo, bufante e de pela pelagem. O vento batia na face, e o cabelo só não voava porque é crespo, e estava bem preso. E me veio o sobressalto. Que faço my lord, sequer cavalgar eu sei! Aí que tudo desmoronou, vim ao chão e o cavalo belo e formoso desapareceu dos meus pés e eu passei a cair num buraco profundo, mas iluminado, onde minha família olhava espantada e minhas inimigas riam seus risos tolos. Como pode um pingo d'água no oceanos fazer tanta sujeira? Isso ouvia eu, numa interminável cantilena ao passo que me aproximava cada vez mais do fim do buraco. E caí, numa cama elástica e foi impossível não ceder aos meus espíritos infantis de brincar com aquela coisa, um pulo e dois e três e no quarto parei de descer. Adeus, gravidade. Subia eu para a escuridão do céu, que creio, era nenhum céu. Dado essa loucura toda, espanto-me enormemente ao me ver amarrada e enlatada numa caixa, com olhos chorosos a minha volta e eu ali, a olhar para eles e eles para mim, toda branca, num caixão de cedro.

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