quarta-feira, novembro 27

Trancada no banheiro

Olá. Queria compartilhar uma história que aconteceu comigo, alguns anos atrás. Foi motivo de muita piada e risos alheios. Como eu não sei contar, ou escrever piadas, lá vai.

Não sou dessas pessoas que acordam bem de manhã. Quase morro quando preciso acordar antes das 9 horas, sério, meu despertador que o diga. Sabendo disso, eu trabalhava de tarde. Acordei, certo dia, em meu horário habitual, 11 horas da manhã. Fui ao banheiro fazer as minhas abluções, banho, dente, cabelo etc. Mas eis que, minha porta estava com um certo defeito, e acabei por ficar trancada ali. Dei umas pancadas nela, bati e gritei pela mãe, pelo tio e ninguém me ouviu. Encostei a cabeça na porta, como quem vai chorar, mas nada, não sou dessas desesperadas. Ainda me olhei no espelho conferindo a cara de sono. Sentei no chão, contra a porta, apoiei a cabeça nos joelhos e dormi. Sério, eu dormi! Agora me diga, quem em sã consciência senta no chão do banheiro para dormir?? Eu! 
Pois bem, minha família, muito preocupada, só foi dar pelo meu "sumiço" lá pela 1 hora da tarde, que bem, estava mais do que atrasada pra trabalhar. Quando a minha mãe gritou comigo pela escada - e me acordou - começou o desespero, dela. Ela só faltou derrubar o banheiro de tanto bater à porta pra me tirar de lá, do meu (des)confortável cochilo, e não conseguiu! Porta do capeta, tivemos que chamar um primo que veio com umas ferramentas e abriu a porta. Moral da história, eu durmo em qualquer lugar. 

Pode? Deixe seu comentário, o que você faria?

quarta-feira, novembro 20

Conto: Narradora

Então, outro conto. Divirta-se!

Batia com concentração o teclado do computador. Busca: inspiração. Buscava o melhor de si para jogar as palavras, mal olhava as mãos, olhos retos e diretos na tela. Queria a obra prima. E o leitor pergunta, que há agora? Não sei, não posso dizer mais do que o momento. Como narradora observadora e paciente, vejo o aqui e agora e sinto os sentimentos. Nesse instante, seus dedos se movem com tanta velocidade que me dá vertigem, fecho os olhos por alguns momentos, tentando me recuperar, esmago um mosquito com as mãos (eu sei, sou habilidosa nesse quesito) e quando desloco minha atenção para ela, ela continua feliz. Aliás, agora chora de felicidade. Possivelmente um pouco desesperada, mas a alegria toma a cada um de forma diferente.
Devo confessar que estou cansada de observar e não participar. Que graça há em uma pessoa que só escreve? Não há ação, aventura, emoção. Talvez eu devesse inventar alguma coisa, mas não posso, seria incorrer na mentira, e de mentira eu não gosto. Minha mãe costumava dizer que... Oh, ela levantou da cadeira, que emocionante, vamos dar glórias, um pouco de movimento, eh? Mas retornemos à minha mãe, mulher interessantíssima, sempre me dizia que assim que eu proferisse uma única mentira, arrancava todos os meus dentes, um a um, com alicates. Nunca menti desde que ela arrancou o rabo do gato para me ensinar uma lição. O melhor foi ver o gatinho pulando desequilibrado. Ai ai, quase choro de rir ao lembrar de mamãe. 
Agora ela está indo ao banheiro, ah, não, ali não e o banheiro, é a lavanderia. Cordas, legal, que será que ela vai fazer com cordas? Rapel, é claro. Que burra que eu sou. Mas veja só, já voltou pro computador. E essa alegria que não passa. Vai assoar esse nariz mulher! Tenho vontade de gritar, puxa vida, que frustrante ficar observando a vida alheia sem poder interferir. Eu hein? Chatice.
Bem, o que eu estava falando mesmo? Memória fraca. Esses dias o médico receitou uns remédios aí. Tomei dois ou três e joguei o resto fora. Imagina, eu, na minha idade, tomando remédio. Nada, estou na flor da idade, pronta pra ser arrebatada em jovens braços finos. Mas bem, que a mulamba está fazendo agora? Só desorganizando as coisas, arrastando cadeiras no meio da sala. Nunca vi isso, praticar rapel no meio da sala. Vai descer por onde, Exú? 
Oh, não, espere um minuto. Isso está parecendo uma daquelas coisas que supostamente devemos "evitar", como se chama mesmo? Ah, lembrei, suicídio. Oh merda, espere, não enfie o pescoço aí. Ai, deve ter doído. Haha, ficou se debatendo é? Quem mandou pular? Ela parecia tão feliz agora mesmo, estava inclusive chorando. 
Ai nossa, vamos lá querida, chegue mais perto, deixe-me tirar essa corda daí. Melhor? Um pouco? Legal. Céu? Que céu? Não não, nada disso. Aqui é o Departamento de Vigilância, venha comigo, vou levar você ao seu novo posto de trabalho. Ih, você vai adorar o pessoal, todo mundo de bem com a vida...


Gostou (ou não), deixe uma lembrança em forma de letras que formam palavras que formam frases que me deixam feliz. ;)

segunda-feira, novembro 18

Conto: Olhos que riem

Se você chegou até aqui, seja bem aventurado! Se conseguir ler até o fim sem se entediar, fico satisfeita. Depois me conte o que achou.
Boa leitura!

Para alguns, a felicidade suprema se caracteriza por um pedaço de chocolate, um abraço de amor, um sorriso de carinho, uma conversa alegre, um beijo, um gozo, um suspiro, muitas gargalhadas, a solidão, a calmaria, o status de popular, uma boa música, uma bebida quente que seja, mas para ele não, essas coisas eram inúteis. Comida era comida, pessoas eram inúteis, momentos desperdícios de tempo. Para ele a felicidade era o trabalho, para ele a felicidade era o seu trabalho, para ele a felicidade eram os olhos.
Digamos de certa forma que ele era antipático sempre, e apresentava empatia na necessidade. Agora mesmo, seu sorriso não chegava aos olhos, mas nem todos têm a percepção de olhar um sorriso e saber sua profundidade de realidade. O sorriso dele era uma casca vazia, e os olhos que o via eram verdes claro, belíssimas íris, grandes, permeados por espessos cílios negros. E esses olhos sorriam com sinceridade para os olhos falsos dele.
A pessoa de belos olhos era daquelas que acreditava na beleza da vida, na inocência dos homens, na felicidade alheia. Não se deixava abater pela tristeza, sorria pelos olhos, pela boca, pelo corpo, pelos gestos e iluminava o ambiente, um paradoxo com sua brilhante pele morena. A pessoa era uma formosa mulher. Crédula, simpática, tola de certo modo.
Ele olhava para ela e deseja roubar sua felicidade, desejava para si o sorriso dos olhos. E no intento de alcançá-lo engajou a pobre numa conversa mansa, cheio de meias palavras, muitos significados, malícia mal disfarçada, sedução forte, potente, premente. E ela não caiu? Caiu, feito um patinho, entregou sua boca em beijos, seu corpo em degustação e sorriu seus suspiros sinceros. E naquela conversa pós-coito ele pediu o sorriso de seus olhos, e eis que ela diz, são seus! 
Ah, que sublime alegria, ele teria o que desejava, seus olhos, literalmente. O processo cirúrgico demorou o tempo de sua degustação. Sorriu e limou seus dedos no sangue. Cheirou a excitação, manuseou os instrumentos com precisão formosa, beliscou belicosamente a face pálida, beijou com loucura os lábios imóveis, gozou sobre o corpo duro, e se refastelou na mais pura alegria de alcançar seus objetivos.
Os olhos sorridentes foram delicadamente acoplados em vidrinhos com o que ele chama de Conservante do Amor. Espetados imóveis na galeria de horrores dos mais centenares de olhos azuis, verdes, marrons, negros, laranjas e mortos.

E eu que saio dando minhas partes por aí? Jamais. Vai que alguém leva literalmente? ><

sábado, novembro 16

Conto: Pés de galinha

Olá, senti desejos de publicar um pequeno conto. Espero que gostem, e se atentem às promessas.

O  pé da galinha era seu prato preferido, com todos aqueles ossinhos para chupar, lamber, mordiscar. Cada pé era uma felicidade suculenta. Adorava-os. Comprava de muitos quilos, temperava com os mais diversos temperos, nacionais, internacionais. Os olhos brilhavam enquanto a panela de pressão chiava e exalava aquele vapor delicioso. A fome mordendo por dentro, o desejo era comer alguma coisa para aliviar, mas o medo de estragar o apetite fazia forte sua resolução.
Depois que comia, sentia remorso, ia no galinheiro alisar belemina, beladona, belazinha, florbela e mariabela. Todas galinhas caipiras de anos de convivência. Sentia um remorso profundo, chorava algumas lágrimas e prometia nunca mais comer pés, aquela era a última vez. As galinhas arrulhavam sob suas mãozinhas gordinhas, e punham seus ovos crendo nas promessas. Mas eis que os olhos falam mais profundo que tudo, alisava as penas brilhosas, e buscavam um vislumbre dos pés para saciar. 
Quando, pela segunda vez no dia, fez suas rezas pedindo ao seu deus que a impedisse de comprar pés, saiu em direção ao açougue. Sim, nada de pés hoje, somente um quilo de carne moída, algum bacon, talvez salsinhas e um quilo de linguiça. Nada de galinhas, tenho que aprender a controlar meus impulsos. Mas ali estava, a tentação em forma de gente, o velho dono de açougue dizendo que tinha chegado pés recentemente. A boca salivou, a língua saiu procurando umedecer os lábios secos. Hoje não, só quero carne de boi, nada de frango. Que é isso? Os pés estão fresquinhos, com as unhas cortadas e tudo. Oh, Jesus, dai-me força. Meio quilo, não, um quilo, não, não, três quilos, espere, quanto chegou? Dez quilos, não, é muito, trouxe pouco dinheiro. Pode pagar depois?, ai não sei, sabe que não gosto de ficar devendo. Estava querendo comer linguiça também. Levo tudo. Boa tarde senhor, fique com deus. Eu também?, eu nada, ai que remorso, eu vou voltar para devolver... 
Mas que nada, em pouco tempo estava em casa, cuidando amorosamente do tempero. Dez quilos, era muito pé. Quantos frangos, galinhas, galos mortos. O que diria suas galinhas se soubessem? Não contaria, silêncio mortal sobre o assunto. Silêncio mortal. Ai, mas elas dariam pelo cheiro. Foi no vizinho, no vizinho, vocês sabem que eu prometi, e promessa é dívida. 
Mas o cheiro estava divino, o cheiro era o céu na terra, e certamente, se existia um céu para ela, ele era cheio de pés de galinhas. E quando ficou pronto? Faltou ter um ataque enquanto esperava todo vapor sair da panela. Tinha fome, gana, gula, desejo. O primeiro pé foi praticamente engolido inteiro, tinha certeza que os ossinhos menores foram tragados pela avidez, do décimo em diante foi mais cautelosa, mais refinada, chupando osso por osso, saboreando calmamente, como um bom chefe degustador. Abriu uma garrafa de vinho quando chegou no trigésimo pé. Sorveu com goles maduros, reprimidos. Quando parte da panela e do vinho tinham sido consumido, e estava saciada, parou e limpou a gordura dos dedos, da boca, do nariz e do peito. Começou a sentir arrependimento. Um tão profundo que em meios aos seus arrotos de satisfação, tinha um soluço de tristeza. 
Lavou as mãos, escovou os dentes, passou perfume, e foi ao galinheiro. Tudo calmo. A primeira a atacar foi florbela, se jogou do galho mais alto direto na cabeça, o bico foi para os olhos, os pés para a boca, as unhas agarrando firme. Belamina foi a próxima, e uma a uma cobraram suas promessas do corpo gritante estendido no chão, logo sem olhos, com a pele cheia de galinha. E elas entoavam: Você prometeu, você prometeu, você prometeu...


P.S.: Se gostou, ou não, deixe um recadinho. ;)

sexta-feira, novembro 15

Gordinha Bonachona

eu imagino, velha bonachona
sentada nas molas do sofá
absorvendo as palavras da TV
ouvindo os gritos dos vizinhos

suas mãos nervosas retorcem
sua cabeça redonda, mexe de um lado a outro
seus olhinhos brilham, excitada

um grito mais alto, e um sobressalto
as mãos pequenas e gordas se alisam
uma baba escorre da boca
sorriso de felicidade

na TV estrondo, na cabecinha, malícia?
e curiosidade. 
E dedinhos gordos brincam com a pipoca
e que o espetáculo não acabe;

Miragem

um dedo de prosa
um prato de bolo
um sorriso alegre
uma laranja partida
um copo de suco
meia xícara de café
açúcar sobre a mesa
formigas em festa
um fio de cabelo
uma mão mais boba
o leite entornado
as gargalhadas esvaem
os olhos brilham
lembranças esquecidas
retratos em pó
palavras mortas
revivem vez ou outra
na memória saudosista
do espectador da vida
que da vida só espera
a indesejada das gentes

quinta-feira, novembro 14

Lenço

queria um lenço
para chorar
um ombro, apoiar
um destino, seguir
e no meu desespero
peço de todos
solidariedade
rogo a ti,
amor profundo
só piedade

sexta-feira, novembro 8

Na casa do vizinho

na casa do vizinho, há uma alegria!
na casa do vizinho, há promessas!
na casa do vizinho, há bençãos!
na casa do vizinho, há safadezas!
na casa do vizinho não há privacidade,
já o que vizinho divide tudo comigo
embora eu não queira
não tenho opção no assunto

na casa do vizinho, há eu, também!

terça-feira, novembro 5

Queimando

meus olhos ardem
de sono, de fogo
de paixão

ardem dentro da boca, 
do estômago,
das vísceras

tudo pegando fogo
que queime
deixe queimar
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