domingo, abril 27

Meu amor feminino

Eu estava almoçando num restaurante popular. Mais educadamente que o normal. Eu a vi. Eu me apaixonei. Eu nunca tinha me apaixonado por mulheres antes, ou seja, eu era heterossexual, mas veja só como são as coisas, eu nem a conhecia, mas estava apaixonada.
Ela não me olhou, senão quando eu estava indo embora, pois tenho pouca confiança, nunca chegaria nela. Ela chegou em mim. Sentou a minha frente e perguntou se eu estava partindo. Ela tinha gotas de Júpiter em seus cabelos, cantava a música que eu ouvia, e ela tinha mesmo, ela tinha. Saímos juntas do restaurante. Sentamos em um banco na praça, e conversamos. Sobre tudo, sobre ela, sobre mim, sobre meus medos, sobre os medos dela. Aquele dia eu não voltei para o trabalho, nem voltei para casa. Aquele dia acabou comigo deitada em uma cama de colcha vermelha, com uma mulher gostosa sobre mim, e acabou também a minha virgindade. Eu tinha 20 anos. Eu estava apaixonada pela primeira vez. Eu estava andando no ar. Quando eu olhei para ela dormindo ao meu lado, eu me perguntei o que eu tinha feito para conseguir aquilo. Eu não merecia. E eu fui embora.

quinta-feira, abril 24

Meu monstro

Hmmm... e tem um monstro
na minha cama, embaixo dela
ah, esse meu monstro safado
não faz a barba pra dar cócegas
esse ordinário cheio de charme
fica aí mesmo
que meu marido já chegou!

terça-feira, abril 22

Da vida

Na vida, não procuro nada
não peço por nada
e não espero nada

o que vier tá bom
o que chegar, chegou
ou quem parar, parou

assim não há decepção
mas parece que também
não há emoção

sexta-feira, abril 11

Coisas más

Fiz uma coisa má hoje
não ajudei a quem podia
não devolvi a quem devia
não respondi a quem queria

Fiz uma coisa horrível hoje
matei do tempo sua capacidade
extraí da verdade sua mentira
envenenei a alegria com falácias
deturpei o amor só de maldade

Fazemos coisas horríveis todos os dias
amamos quem não devemos
beijamos quem não queremos
agradamos quem não merece
invejamos quem não somos
à revelia de uma vida cheia de meias verdades e 
meias fedidas

quinta-feira, abril 10

Reflexão de tempo

Com muita frequência, eu me sinto velha
(velha cansada)
e não é coisa dos anos não, é da cabeça
(esgotamento)
das coisas que te fazem pensar em tempo
(ou memórias)
em coisas que você passou com penúria
(ou com folga)
pessoas que ficaram vivas no passado
(e estão no presente longe de ti)
e você se pergunta sobre sua idade
ou insanidade (?)

Convite sombrio

Vamos brincar de morrer?
Eu pretendo sua morte 
e você pretende morrer
E se a gente (você) morrer
juro que compareço ao seu funeral

quarta-feira, abril 9

Dando as mãos

Estava escuro 
tinha uma mão
segurando a minha
que bem estava
que bom
que pena
no presente 
só está escuro
minha mão,
vazia

segunda-feira, abril 7

Olhos seduzentes

Sempre pensei que tinha os olhos bem comuns
são castanhos, rodeado de cílios negros, belo formato
e admirava os olhos azuis, verdes, bem maquiados 
mas então, que me olho aos olhos! E bem, que belos são
têm umas raias mais escuras, um diâmetro perfeitinho

Se posso dizer uma coisa sobre eles, são especiais
e deixam de ser comuns, e afirmo afoita que,
que só vai ver quão especial eles são, quem de perto olhar
e se perto dos olhos está, as bocas se tocam com paixão! 

quinta-feira, abril 3

Amor

Ame sem medo
tenha medo de amar
amor dói, no bolso!

Nada de brincadeiras

Brincava. Do verbo brincar
Significa, modo grosso, diversão
Não, nada se pode aplicar
Quando o assunto é o coração

Brincar com o coração
Não é divertido, não

(Só para os médicos!)

terça-feira, abril 1

Mal²

Sempre que penso que algo vai mal
esse algo prova quão errada estou
não vai mal, vai horrivelmente mal
Esses desafios, Vida, tem que parar
veja bem, querida, não aguento mais
se vai mal, faça ir bem, não piore,
Porém!
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