sexta-feira, outubro 24

Teso

Quero gosto de sangue na boca
carne podre entre os dedos
imundícies sob os passos 
pele humana e osso infante

Quero gozo de sangue nas coxas
mordidas e ataques ferozes
briga pelo poder, rasgos profundos
amor e morte

De você!

quinta-feira, outubro 23

De mim

Dizem que eu sou imortal
que não vou morrer nunca
que da minha carne 
não sairá a alma

Dizem: tédio imortal
tipo chato, que nunca
tira das vistas essa carne
podre de alma

domingo, outubro 19

Em ti

Língua enroscada na orelha
desejo desenhado em lábios
os suspiros de prazer
as mordidas na bochecha
o arranhar da barba
o deslizar da saliva
o líquido da excitação
as covas preenchidas
os gritos em gozo
a troca de beijos úmidos
os carinhos namorados

sexta-feira, outubro 17

Eu me rendo

Penso que não poderia mais viver com essa dor no meu peito. Escrevo para desafogar as mágoas e para dirimir as amarguras. No mundo de prazeres que pensei habitar, nem restam sombras ou cinzas. Restou em meu peito pranto molhado e amargura condensada. As lágrimas caem dos olhos e molham meu travesseiro, o ranho escorre do nariz, formam poça no lábio superior, a dor é tamanha que nada poderia fazer para retirá-la de cima de mim. Mas eu penso me render essa noite às amarguras. De manhã vou tomar banho, passar a maquiagem e sorrir para o mundo. Uma noite de solidão e uma vida inteira para matar esse sentimento maldito que criou raízes no meu coração. Amanhã.

quarta-feira, outubro 15

Passional

E a gente brigou por uma coisa tão boba. Nem lembro mais o motivo. Lembro sim, de tê-la deixado sozinha na mesa do bar. Sozinha. Nunca mais voltei a ver seus olhos escuros nem seus dentes levemente tortos. Nunca mais ouvi aquele riso de felicidade nem suas broncas passageiras. Deixei a mulher sozinha e sozinho estou eu hoje. Naqueles dias, quando eu a tinha, fazíamos castelos no ar e os desmanchávamos com as linhas tortas de nossas escritas. Eu recitava poesias de amor e ela regurgitava tudo em contos de terror. Naquele dia da briga, eu disse à polícia, brigamos e eu a deixei na mesa do bar. Notei que tinha um cara de olho nela, talvez ele possa saber de alguma coisa? Como ele era? Não poderia me lembrar exatamente, alto, forte, gordo até, bem diferente da minha magreza loira. Não, o garçom não lembrava de nada, mas eles nunca lembram sem você molhar a mão deles. Naquela noite, eu fui dormir com as unhas cheias de sangue. Tive o infortúnio de atropelar um cachorro. Botei ele na traseira do carro, mas não levei no veterinário, pois não havia nenhum aberto àquela hora. A polícia vem dizer que o sangue é dela, mas isso é impossível, eu a deixei, sozinha, na mesa do bar. Aquela vaca, deve ter feito isso para me incriminar. Deve ter espalhado sangue pelo meu carro, e saído em uma longa viajem, nessa hora, deve estar rindo às largas enquanto eu estou aqui, encarcerado e acusado de crime. Mas eu não cometi nenhum crime, a deixei fofa e bela, sentada na mesa do bar. Vadia!

segunda-feira, outubro 13

Linda

dessa forma que a vejo
formosa notas musicais 
aroma de flores e mar
dançando pelas ondas
velejando em minh'alma
fazendo fantasias em mim
provocando o macho interno
da mulher que sou

Linda!

sexta-feira, outubro 10

Ritual

As coisas estão quentes por aqui
desejo em carne viva
panela no fogão
espera

Vamos celebrar o amor à vida
comendo carne crua
sal e pimenta
gozo

terça-feira, outubro 7

Trato

queria sua pele aqui
encher de mordidas
linguá-la
Tirar seus suspiros
seu gozo propiciar
seu falo engolir

por todos os prantos
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