quarta-feira, março 26

Do meu futuro

Essa noite, enquanto fazia minhas corriqueiras atividades
tive um vislumbre do meu futuro, e afirmo
nada como esperava, nem pior do que desejado
mas, ora, que coisa, queria ainda poder pensar mudar
e revirar ao ar meus futuros problemas e cometer erros
agora eu não tenho essa chance, e sabendo o que sei
o que resta fazer pra mudar isso, penso eu,
resta morrer, logo morta, não terei aquele futuro
e da cremação que espero, que as cinzas vão ao mar
mar de lágrimas e desespero alheio, dos que me amam
e dos que dizem amar, e que suas lágrimas falsas
completem do mar sua salinidade

segunda-feira, março 24

Fazendo história

Nos movimentos das palavras, e no brincar dos dedos sobre o papel, pesa minha alma sua subida ao céu dos encantos interiores. Brinca minha mão com os dedinhos dos pés, fazendo-os subir e descer de forma desumana, mas o cérebro não detecta dor, ele está preocupado com a poesia viva que em mim respira. 

sábado, março 22

Nem desculpas nem nada

Sinto que me aproveitei de você
te tratei como lixo
conforme as minhas necessidades

Desculpe isso, prezo mais a mim
que a você

Vadia, pensa teu ego
nada a declarar

Cassino

Era um cassino. Rolavam dados e emoções
E no canto, tudo olhando, estava você
Olhos em mim, comendo de mim minha aura
Nada fiz, dei a ti as costas e fui,
Fui para as garras da perdição

quarta-feira, março 19

segunda-feira, março 17

Datas, velhas datas

Foi um choque
e foi triste ver e saber
que depois de alguns anos
algumas datas que foram tão importantes
passaram na surdina, esquecidas, esquecidas
e o choque de olhar o calendário e dar com elas?

domingo, março 16

A sina das Marias

Maria era seu nome de batismo. Nascida em 1974. 40 anos de idade. Aprendeu a usar o computador nem bem dois anos. Primeiro movimento, criar um tal de Facebook. Todo mundo tinha Facebook, ela também precisou de um. 

Tinha uma rotina. Alimentar os filhos para a escola. Lavar a louça e então, abrir o Facebook, e ali permanecer até a hora de fazer o almoço. Apesar de adorar ficar online, pouco comentava ou curtia as postagens. Também não compartilhava muito. Seu prazer era ser voyer das postagens alheias.

Um dia isso mudou. Foi em uma tarde de chuva. A casa estava limpa, as crianças estavam fora, o marido estava dormindo. Maria gostava de olhar, uma e outra vez, fotos de seus amigos. Admirar peitorais alheios, desejar bíceps musculosos ou criticar  a beleza feminina. Abriu primeiro o álbum de fotos de Márcia, sua melhor amiga. Na primeira foto Márcia estava de perfil, metade dos seios recheados à mostra. E Maria não se conteve no pensamento: "Eu sei que esses peitos são murchos". Foto seguinte, "Que nariz ridículo. Faz uma plástica aí, Capiroto". E algumas fotos mais, ela cansou. Foi ver as fotos de Marcelo, velho amigo de infância. Primeira foto, ele e a mulher, "Mulherzinha ridícula, te chuto o rabo em gostosura. Esse homem deveria ter sido meu, vadia". Foto seguinte, ele sem camisa, "Te lambo inteiro, seu gostoso", foto seguinte, a filha dele, "Vadia igual a mãe". A seguinte foto ela não viu. O marido acordou querendo sexo.

"Esse nojento quer fazer sexo de novo". "Nem sabe mexer direito". "Que hálito podre. Escove esses dentes, seu nojento". "Melhor fingir que já gozei, pra ele acabar logo". "Goza igual um porco, roncando". "Agora dorme, nem pra transar direito. Nunca gozei com você seu estúpido". "Casar com pobre dá nisso, crianças nojentas, marido nojento". "Que nojo. Vou tomar banho".

Quando Maria voltou a abrir o Facebook, lá estavam, todos os seus pensamentos publicados. Todos. E os comentários? E as perguntas? E a falsidade? Uns elogiavam sua coragem, a parte ofendida desferia blasfêmias merecidas. Maria não podia acreditar. Ficou horas sentada na frente do computador, tentando entender o que tinha acontecido. E excluir os comentários? Impossível. E a cada pensamento seu, uma nova publicação surgia. "Que aconteceu?" "Isso não tá acontecendo comigo". Só que estava. O marido abriu o Facebook a noite, do celular leu e chorou com os comentários. Coitado, ainda apaixonado. Ter sua intimidade exposta assim. As crianças ficaram entre magoadas e divertidas. "Ela lamberia o tio Marcelo". 

Até hoje, se você abrir a página de Maria, vai poder ver seus pensamentos. É impossível excluir a conta, e após o divórcio e a solidão, sua página só deixou de receber atualizações quando Maria morreu, morreu limpamente, com uma facada no estômago. 

E assim, outra Maria, em outro lugar qualquer da minha vasta imaginação, passou a ter seus pensamentos publicados no Facebook.


sábado, março 15

Perversão

Havia sobre a mesa… pedaços humanos. Pedaços femininos. Éramos quatro à mesa. O corpo era meu, aliás é meu. Neste momento sou um espectro que revoa a mesa, olhando os outros três comensais se deleitarem com minha carne suculenta e adocicada. Eu estava sentada na cabeceira da mesa, e degustei meus próprios seios. Era minha parte preferida, macia e dura ao mesmo tempo, que uma vez trouxe leite ao meu filho e suspiro aos meus amantes. E cortando a carne em delicados pedaços, com um salpico de sal e orégano, comi na presença deles, meus dois mamilos, em primeiro lugar, e o resto devorei, igual uma porca sem educação, meti a cara no prato, lambi, suguei o sangue da carne cru, remoí pedaço por pedaço, e mastiguei com afinco. Comi sozinha, e nos olhos deles assuntei o desejo e a inveja. A vontade de provar do gosto. Mas esse deleite era meu. Dane-se a sociedade, e fodam-se os moralistas! 
Após isso, estava satisfeita, o resto era deles. Uma boa carne precisa ser amaciada. Senti cada pancada como um presente celestial. Acoitaram-me a gosto nosso. E antes de morrer pedi, um último gozo, e despejaram sobre mim seu sêmen e a última gota desceu sobre meu corpo enquanto eu subia do plano terrestre para o espiritual. E ali observei, com facas grandes e afiadas, cada pedaço arrancado e cada mordida dada em carne cru. E quando o afã passou, levaram minhas partes para a panela, e produziram um ensopado com as nádegas, e assaram as coxas, e cozinharam os pés. O resto foi sacramente ensacado. Ninguém compraria carne por um longo tempo em minha casa.
Éramos quatro sobre a mesa. Meu pai, meu marido, meu filho e eu.


Nesse fim, espero que o conto tenha cumprido com a promessa do título.
Dedico à uma amiga, super normal, que me forneceu material inspirador. To Érica.

Deixe seus comentários revoltosos.

sexta-feira, março 14

Sobre o Bar

O bar é uma vida. É a exogênese do mundo. Depois da criação dos autótrofos, eles se reuniram e criaram um bar onde podiam conversar besteiras e produzir fotossíntese. Tenho a mais absoluta certeza disso. O bar é uma entidade que leva nas costas uma horda de demônios arruaceiros. Juro! 

Alguns pensam que é um meio de vida. Ledo engano. O bar está no sangue. Está n'alma. Está onde você pensa que está, com um pormenor, o bar vive sem você e você não vive sem o bar, simples assim.

segunda-feira, março 10

Vermelho

Meus olhos estão ardendo
estou cansada

noites insones
pensamentos inquietos

meus olhos estão vermelhos
mas não de choro e mágoas

são da fumaça
estou queimando e fumando
meu coração

sábado, março 8

Egoísmo coletivo

Parabéns para mim
sou feliz, mas sofri
e sorri e vivi
e em uníssono morri!

Hoje é o dia das Mulheres. Umas palavras não bastam para confeccionar um sentido para todas as mulheres que foram felizes, ou não. Que morreram em sossego, ou agonia. E para mulheres que enfrentam todos os dias humilhações e desrespeito. Todas as mulheres devem gritam, PARABÉNS PARA MIM! Pois merecem, e juntam sussurramos em alto som.

quinta-feira, março 6

Não esqueça do amor

Não esqueça do amor
não 

Lembre-se da dor
sua

Implore por mim
querida

Não esqueça do amor
bandida
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