terça-feira, abril 30

Eu quero

Quero chorar, aqui e agora
Quero diminuir esse medo
Quero acabar com esse desamor
Quero deixar de sentir, isso de mal
que sinto n'alma

Quero chorar as lágrimas
tristes

que abrigam-se em meu corpo
Suave e manso
Carente, choroso

segunda-feira, abril 29

Maior

Explode n'eu a vontade
maior que o mundo
de sentir a emoção
maior que o amor
de viver uma paixão
maior que a dor
de não ter aflição
maior que a morte
de viver em harmonia
melhor que a sorte
de sorrir em sintonia
só maior

e ser correspondida
melhor que nós dois

sábado, abril 27

Cansada

Estou cansada
meu olhar repousa
em porto morto
ignóbil

Estou cansada
minha vida
sem expressão
lamento

Estou irritada
tudo me é caro
e pra ninguém
cara o sou

quinta-feira, abril 25

Marcados

Marcada pelo sonho de ser feliz. Essa sou eu, a pessoa que tem medo da realidade, que vive num mundo paralelo, que sorri para a iniquidade e não se rebela, temos medo da exclusão.
Marcada, sim! Eu olho em seus olhos, vejo suas lágrimas, mas realmente me importo com seu sorriso, que ele seja triste e plastificado, não me interessa, é um sorriso pelo sim ou não.
Marcada pela imoralidade amores. Que olha o fim começando de dentro, mas não se mobiliza, afinal, está todo mundo sorrindo infeliz, e está todo mundo buscando a felicidade na falsidade alheia.

quarta-feira, abril 24

Tentativa de rimar

Hoje a minh'alma canta feliz
Sua canção amaldiçoa
Quem de medo já entoa
Aquela canção por um triz
 
Hoje minh'alma é meretriz
Ela não sabe ser boa
Nem sabe, quisera, velha coroa
E nem mais é aprendiz
Velhissíma maldita infeliz

terça-feira, abril 23

O medo

O medo, que eu tinha, e não tinhas tu. E o medo de olhar, de respirar e de falar ou ouvir falar. Mas o meu medo, que só aumentava ao som de suas mentiras, de que não doia, não dói, é calmo, é sossego, esse meu medo não deixou de existir até que minha coragem falou mais alto que ele, e minha coragem revestiu meu corpo, e forte ele, permitiu que eu o medo encarasse, e a mentira do não dói, doeu mais que a dor enfrentada.

sábado, abril 20

Declaração

Longe, tão longe
tão longinquo
e tão belo
e mesmo eu,
sendo quem sou,
e nada sou,
posso dizer que,
a distância que nos separa
também nos une
e amo
e morro
mas, eu sou a ti
e em ti eu sou eu mesmo
e sendo quem sou
amo-te mais
que a mim

quinta-feira, abril 18

Liberdade

Todo dia sinto meus ossos baterem contra o chão. Todo dia sinto um peso horrível sobre meus ombros. Todo dia morro um pouco por estar vivo. Todo dia sofro com meus pensamentos, que me sufocam por dentro, batem na minha boca, prontos para serem libertos, mas não são, pois há o medo e o pavor da repressão. E meus ossos batem, sobre o chão, com a força das palavras, não ditas, nem esquecidas.

terça-feira, abril 16

Faminto


Famintos, olhos.
Olhos famintos, que grudam em minha pele, desfazem minhas roupas e me comem com audácia.
Famintos olhos que me encaram, na cara. Famintos olhos que me seduzem.
Olhos famintos, que me arrancam suspiros.
Olhos famintos, famintos olhos.
Seus olhos famintos que de tão famintos me matam a fome, de você.

segunda-feira, abril 15

Segredo

Ando, cabelos ao vento, fragrância que envolve, os que em volta estão. Ando, e respiro o ar fétido da cidade, da calçada imunda e quente, mesmo o vento é sujo. Mas o vento, ele me envolve, rodeia-me como o amor, entrando nos meus poros, no meu âmago. Sorrio para a beleza desbotada dos prédios e respiro a inocência dos bebês, que estão úmidos e sujos, como a tudo e todos. Os carros passam, alta velocidade, e me recobrem de pó, que gruda na pele oleosa. E no meio de mais um dia, na cidade grande, eu, a luz e o desejo, perpetro suas ilusões, e todos me olham, absorvem meu corpo nu, e eu acordo, do meu sonho mais secreto, e visto minha carcaça de rotina, e saio, para a rua suja, e para a poeira, que gruda.

sexta-feira, abril 12

Lento e profundo

Lento e profundo. Um poço, um desejo, um sonho, e um desperdício. Lento e profundo. Tão profundo que dói, que amarra a boca, que mata e caminha. Lenta e dolorida, a presença e o espanto. O medo e o sonho. Lento e profundo, lento tão lento, e medroso. Essa era eu, e lento era eu e o profundo era eu, e sou eu, e profunda imensidão de sonhos perdidos. Lenta e misteriosa, vida lenta, vida misteriosa. Lenta tão lenta. Corre.

quinta-feira, abril 11

Escuridão

Enquanto eu andava, sozinha pelas trincheiras da saudade, sonhava com a liberdade dos campos verdes e do ar puro. Enquanto eu vivia sob a égide da escuridão, ansiava a luz e o sossego de outrora. Enquanto eu sonhava com voar e ser feliz, meu corpo sofria as dores, agonizantes, do viver sem ser vivido e assim como posso ser infeliz com a luz da alegria, posso ser feliz com o medo da liberdade. Enquanto eu era molestada e abduzida, eu estava presa, de corpo e alma, dentro do meu próprio medo infinito, infeliz.

terça-feira, abril 9

Carta de amor

Não sei fazer poesia, nem escrever sem erros de português.
Não sei ser mais simples e não consigo mentir só para te satisfazer.
Não sei amar de menos, nem amar de mais.
Não sou bonita nem elegante, mas posso te seduzir, em seu instante.
Não gosto do cinema clássico, nem da televisão nacional, mas gosto da [sua boca e seu efeito sensacional.
Não sou amável, mais do que quero, e não sou boa enfermeira.
Não sei ser feliz contigo, nem sem.
Não sou sua melhor amiga, nem conselheira confiável, mas o melhor que [posso, por ti fazer, está feito.
Não te amo pouco, nem muito, mas o bastante para escrever, com todos [os defeitos, sua extensão e imensidão, portanto.

segunda-feira, abril 8

Sentimento

Por um período mavioso,
fim e meio de uma desilusão
um momento de amor
um sentimento de tristeza e,
uma finitude de ilusão
ameaçadoramente o fel
da saudade
bate no meu peito
e meio de ilusão se vai
no fim e no inicio, o começo e o meio
de braços cansados e ilustre,
tristeza.

sexta-feira, abril 5

Desilusões escritas

Peço desde já para que perdoem a quebra de raciocínio lógico. Meu manuscrito é uma sequência atemporal e minhas ideias avolumam-se e se tornam enormes bolhas criativas, então, no momento mais excitante da narrativa sou interrompida. Elas se libertam da bolha e ao revoarem, zombam de mim, apontam o dedo e riem. Idiota, elas gritam-me. Eu me desespero, fico lendo o que escrevi, noto que elas vão mais longe, mais distantes, mais felizes e passam pelo ordinário que me interrompeu e o agradecem. Ah malditas e vis ideias que me deixam, ingratas e injustas. Se fosse possível, trazia um trovador e lhe ordenava: “Traze-mas. Devolve-as a mim o que roubado foi-me. As ideias, que as ordene obedientes, elas vos ouve caro, dá-me teu dom oh sábio delas, alegra-me e alegrar-vos-ei. Regozijar-vos irá caro poeta das doces, agudas e finas palavras". Mas a ilusão acerca-me e ando às voltas com o impossível. Não sei rimar, nem cantar, nem escrever.

quarta-feira, abril 3

Rebelde

Eu já vejo de longe, deitada e lânguida está ela, na escada, ao sol, dormindo levemente. Eu me aproximo, porque posso. Ela finge não sentir minha presença, sento-me ao seu lado. Ela abre um olho e finge retornar pro sono, mas sinto seu corpo fremir. Trago minha mão mais perto dela e a vejo ficar incomodada, mas ainda quieta. Pouso a minha mão sobre sua barriga, ela me olha com olhar assassino. Acaricio ela, levemente para vê-la irritada. Ela muda de posição, mas ainda nao faz nada... ainda. Seus bigodes mexem inquietos, e suas garras armam e desarmam. Inevitável, vem o primeiro tapa, não me acanho, intensifico o carinho por que sei que ela vai revidar, e logo, outro tapa e empurrões com seus pés. Mas tudo fraco, e morde. Aí, dói! Vou parar, mais um toque eu paro. Outro tapa, com as garras prontas para arrancar sangue... Desisto, levanto e vou, longe dela, que recorre ao conforto do sono, até eu voltar, de novo!

Mais alguém aí conhece um gato cheio de não me toques? rs

segunda-feira, abril 1

Malícia

Toda dengosa e molhada. Todinha tremente, desce escorrendo, derrete na boca. Brilha e é gostosa, muito saborosa. O desejo é de apertar, sentir escorregar pelos dedos, sentir a maciez interna, lamber a externa. E se eu te deixo na espera, fica toda líquida e quente, escorrendo e ansiosa. Toda gelosa e saudável, de vários sabores, gelatina, teu nome é tesão.
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