sexta-feira, abril 5

Desilusões escritas

Peço desde já para que perdoem a quebra de raciocínio lógico. Meu manuscrito é uma sequência atemporal e minhas ideias avolumam-se e se tornam enormes bolhas criativas, então, no momento mais excitante da narrativa sou interrompida. Elas se libertam da bolha e ao revoarem, zombam de mim, apontam o dedo e riem. Idiota, elas gritam-me. Eu me desespero, fico lendo o que escrevi, noto que elas vão mais longe, mais distantes, mais felizes e passam pelo ordinário que me interrompeu e o agradecem. Ah malditas e vis ideias que me deixam, ingratas e injustas. Se fosse possível, trazia um trovador e lhe ordenava: “Traze-mas. Devolve-as a mim o que roubado foi-me. As ideias, que as ordene obedientes, elas vos ouve caro, dá-me teu dom oh sábio delas, alegra-me e alegrar-vos-ei. Regozijar-vos irá caro poeta das doces, agudas e finas palavras". Mas a ilusão acerca-me e ando às voltas com o impossível. Não sei rimar, nem cantar, nem escrever.

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