segunda-feira, abril 15

Segredo

Ando, cabelos ao vento, fragrância que envolve, os que em volta estão. Ando, e respiro o ar fétido da cidade, da calçada imunda e quente, mesmo o vento é sujo. Mas o vento, ele me envolve, rodeia-me como o amor, entrando nos meus poros, no meu âmago. Sorrio para a beleza desbotada dos prédios e respiro a inocência dos bebês, que estão úmidos e sujos, como a tudo e todos. Os carros passam, alta velocidade, e me recobrem de pó, que gruda na pele oleosa. E no meio de mais um dia, na cidade grande, eu, a luz e o desejo, perpetro suas ilusões, e todos me olham, absorvem meu corpo nu, e eu acordo, do meu sonho mais secreto, e visto minha carcaça de rotina, e saio, para a rua suja, e para a poeira, que gruda.

2 comentários:

  1. Nossa, que massa, crua, fria e urbana, curto muito ler poemas que retratam pelo seu lado mais escroto, sem maquiagens ou lirismo ilusório. Curti muito.

    Sou lá do Dihitti, e vim conferi seu espaço, estou seguindo aqui.

    Abraços

    http://rebobinandomemoria.blogspot.com

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    Respostas
    1. Obrigada Marcos! Estou retribuindo sua gentileza. Abraços.

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