domingo, agosto 3

Notas de despedida

Tudo começa com um despertar preguiçoso. As más lembranças ainda não se apresentam aos processos da memória. Um espreguiçar, um levantar atordoado, um suspiro de pesar para deixar a cama quente, no entanto solitária. Quando se dá conta da ausência são os olhos que derramam sua dor em lágrimas, o nariz entupido e um soluçar fraquinho. A face distorcida no espelho.

Morder os lábios até sentir o ferro do sangue. Abrir pequenas feridas pelo corpo, ver brotar o sangue, sentir enjoos, comer comida estragada, horas a fio no banheiro, um medo constante de deixar a casa, uma vontade esquisita de se sentir viva.

O silêncio dentro do quarto é preenchido com música ruim, mas não toca mais que trinta segundo antes de ser trocada, por outra e outra. O acesso à internet é constante, um abrir e fechar de páginas, sem destino.


A página aberta de um documento office pisca para seus olhos. Os dedos deslizam sobre a tela. Uma nota de despedida. Mais uma. Fecha e salva com o nome de “SuicídioXXV”. Amanhã eu cometo, pensa. Amanhã.

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